sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Cochilos da Nyara ou seria Yoga Nyarística?

    Cochilos da Nyara, ou seria Yoga Nyarística? 15/11/ 2024

Ah, os cochilos da Nyara... "tudo-quanto-é-lugar-serve"! Como já contei aqui no blog, Nyara dorme cedo e acorda cedo – faça chuva, sol, feriado ou aquele friozinho de domingo. Mas, claro, nem sempre foi assim. Nos tempos de ouro (ou melhor, de olheiras) dos 2 aos 6 anos, o sono dela era uma verdadeira bagunça. A troca do dia pela noite era a regra, e quem virava a noite junto? Eu, claro, segurando o café e a sanidade. Nyara, naquela época, ficava feliz da vida cantarolando – sim, cantarolando! Mesmo sendo não verbal, ela arranjava um jeito de fazer os sons das músicas que adorava: "Olélé Moliba Makasi", "Hugo bate com o martelo", "Mariana conta 1"... Ela sabia todas!

Para quem não sabe, alterações do sono são comuns em pessoas no espectro autista e podem impactar diretamente o bem-estar e o desenvolvimento. A falta de sono adequado pode intensificar comportamentos repetitivos, aumentar a irritabilidade e dificultar o foco e o aprendizado. Crianças autistas que têm sono desregulado muitas vezes enfrentam desafios maiores durante o dia, porque o sono é essencial para regular as emoções, ajudar na consolidação da memória e manter o corpo e a mente funcionando bem. Isso vale para todos nós, mas em pessoas no espectro autista, a diferença entre uma noite bem dormida e uma noite irregular pode fazer toda a diferença para um dia mais tranquilo e feliz.

Olha, eu só consigo rir disso agora, porque na época eu queria evaporar. Minha princesa quase não dormia, e eu, que precisava trabalhar, passava o dia inteiro me arrastando. Mas enfim, descobrimos a mágica da rotina! Banho, pijama, luz baixa, toda a família sincronizada. Deu certo! E junto veio um desafio: a rigidez cognitiva. Ou seja, agora temos uma rotina "eternamente sagrada" de dormir cedo e acordar com as galinhas. Literalmente.

O sono regulado trouxe benefícios não só para a Nyara, mas para todas nós. Ela passou a ter dias mais equilibrados, e a família toda pôde finalmente viver sem os efeitos colaterais do cansaço extremo que ela carregava. Hoje, como ela acorda por volta das 5h ou 5h30 da manhã, às vezes o soninho pega a Nyara desprevenida durante o dia. Mas a garota é firme: ela não vai dormir! Quer manter o sono só para a noite e luta com todas as forças. Resultado? Sonecas relâmpago nos lugares e posições mais improváveis. Eu juro que não invento essas histórias; podem perguntar para a irmã dela ou para minha mãe, que são minha rede de apoio e testemunham tudo!

Hoje, por exemplo, ela superou as expectativas: decidiu tirar um cochilo com o dorso apoiado na mesinha de brincar e as pernas no braço do sofá. Uma posição que eu só posso descrever como "yoga Nyarística"! Será que ela anda treinando pra algum show de talentos que eu não fiquei sabendo? E o mais curioso: tentei movê-la para uma posição mais confortável, e fui empurrada de volta ao meu lugar com aquele típico olhar “me deixa aqui, mãe!”. Então só me restou admirá-la e, claro, espalhar umas almofadas por precaução.

Esta semana, ela já cochilou na cadeira de roupas pra dobrar (quem não tem uma cadeira dessas em casa, né?), como uma rainha em seu trono improvisado. Outro dia, foi durante uma montagem de Lego. Ah, e teve a vez que ela cochilou até no banho! Sim, você leu certo, no banho! A vida segue com esses cochilos freestyle por aqui, cada um mais curioso que o outro.

E já que estou nesse papo de sono, aqui vão algumas dicas bem práticas pra quem quiser conquistar uma boa rotina de sono. Anotem aí:

  1. Estabeleça uma hora pra dormir e pra acordar. Sim, pode parecer papo de mãe (e é mesmo), mas ter horários consistentes faz maravilhas. Seu corpo vai entender a mensagem… um dia.
  2. Evite telas antes de dormir. Eu sei, eu sei... quem não ama aquela espiadinha final no celular? Mas aquele brilho azul é sabotador de sono! Troque o feed pelo bom e velho livro – ou, se não tiver, encare o teto por uns minutos. É menos emocionante, mas o sono agradece.
  3. Diminua as luzes e o ritmo da casa. Aprendi que isso ajuda demais! A Nyara já fica no modo "pré-soninho" quando a casa começa a baixar a intensidade. Aliás, essa técnica funciona tão bem que eu também acabei reeducando meu sono.
  4. Crie um "ritual do sono". Aqui é banho, pijama, cama. Parece coisa simples, mas esse ritual é um sinal claro pro cérebro de que a hora de dormir está chegando. Capriche e, se possível, faça até uma dancinha da boa noite (só não exagere, pra não acabar acordando todo mundo).
  5. Evite cochilos fora de hora... se puder! Agora, se você é da turma da Nyara e não consegue resistir a um cochilo em cima da pilha de roupas ou enquanto monta Lego, então, vai fundo. Só lembre que uma soneca diurna prolongada pode roubar aquele sono gostoso da noite.

E vocês, por aí? Qual foi o lugar ou a posição mais Nyarística em que pegaram no sono? Porque aqui, na casa da Nyara, qualquer lugar é território de soneca!

Se você leu até aqui, curte e comente com um coração para eu saber que este conteúdo é interessante para alguém e me motivar a continuar registrando nosso cotidiano. Muita luz para vocês que acompanham nossa jornada! 





sábado, 2 de novembro de 2024

Missão (im)Possível: Pesquisa para a Feira de Ciências da Escola - Alimentos Congelados

 Missão (im)Possível: Pesquisa para a Feira de Ciências da Escola - Alimentos Congelados


Esta semana, vivemos uma experiência inédita aqui em casa: Nyara recebeu uma tarefa especial que nunca havíamos realizado antes — uma pesquisa para a feira de ciências! Imaginem como fiquei ao ler a tarefa: descabelada, mas topei o desafio.

Nyara geralmente tem bastante resistência às tarefas escolares. Não sei se muitas pessoas autistas são assim, mas parece que ela entende que a tarefa da escola é para fazer na escola e não em casa. Bem, adivinhem o tema do grupo da Nyara para a feira de ciências... Alimentos congelados ! Justo ela, que tem uma seletividade alimentar desde pequena.

Para quem não conhece, a seletividade alimentar é um comportamento comum no espectro autista (e não somente no espectro), em que a pessoa apresenta forte preferência ou aversão a certos alimentos, influenciada muitas vezes pela textura, cor, cheiro ou aparência. Existem diferentes tipos: têm seletividade por cor, por textura, e há quem rejeite tudo o que foge do que considera “comida segura”. No caso da Nyara, ela prefere alimentos bem específicos e chega a ser mono-alimentar durante meses e sempre é resistente a experimentar algo novo.

Essa seletividade requer muita paciência e adaptação. É importante que as escolas, ao entenderem esse aspecto, evitem qualquer obrigação para as crianças com seletividade alimentar experimentem novos alimentos ou se adaptem ao cardápio padrão. Um ambiente escolar acolhedor e abrangente pode ser um grande suporte, principalmente ao incluir alternativas que respeitem essas preferências, promovendo uma relação mais tranquila e respeitosa com a alimentação.

Primeiro, fui pesquisar na internet sobre alimentos congelados e, depois, sobre como adaptar a explicação para uma pessoa autista não verbal. Consegui traçar uma estratégia de guerra: preciso fazer com que ela percebesse que eu estava ensinando algo importante para a escola e para a vida a partir de explicações simples e exploração visual e sensorial.

Como já comentei com vocês em outros relatos, a comunicação com a Nyara deve ser bem objetiva, direta, afirmativa e concreta. Então, comecei:

— Nyara, hora de estudar. Nyara, alimentos. Alimentos são comidas. Nyara, alimentos congelados. Nyara, congelado é muito frio. Muito frio pra comida durar mais.

Imaginem ela me ignorando plenamente enquanto enfileirava seus lápis na mesinha. Mas, de vez em quando, ela me olhava de lado — um olhar lateral, típico em algumas pessoas no espectro autista. Esse tipo de olhar, conhecido como "olhar periférico" ou "olhar lateral", acontece porque algumas pessoas no espectro sentem-se mais confortáveis ​​observando pelo canto dos olhos do que diretamente. Isso pode ser uma maneira de visualizar o que está ao redor com menos estímulo direto ou de evitar o contato visual intenso, que pode ser desconfortável. Quando ela era criança eu pensava que ela não estava prestando atenção em mim, e foi libertador aprender sobre olhar lateral. Mesmo sem olhar diretamente ela percebe e compreende tudo ao seu redor.

Eu, firme na conversa pedagógica, insisti:

— Vamos à cozinha ver os alimentos congelados?

Ela não quis. Imagine só: ela ama ir à geladeira, ficar lá com a porta aberta, refletindo se pega alguma coisa ou não (e acaba pegando sempre a mesma coisa). E no momento em que eu precisei dela na frente da geladeira, ela não quis! Cometi um erro básico de comunicação, eu perguntei ao invés de afirmar, daí abri a brecha dela recusar.

Ok, dei um jeito. Fui buscar um geladinho e ofereci pra ela, já sabendo que ela não ia querer. Ela pegou o geladinho da minha mão e correu para jogar dentro da geladeira. Assim, consegui fazer com que ela fosse até a tão sonhada segunda estratégia pedagógica que eu tinha planejado na minha cabeça.

Segurei-a em frente à geladeira e falei:

— Espera, Nyara. Alimentos.

Abri o congelador e disse:

— Olha, Nyara, alimentos congelados.

Pedi para ela colocar a mão. Ela relutou, mas colocou o dedo indicador no pacote de carne moída congelada. Eu cheia de orgulho de ter conseguido, e num segundo ela já tinha jogado o pacote pro alto. Sorte que caiu na pia e o prejuízo foi zero!

Ela voltou para a sala, e eu me sentei ao lado dela rindo sozinha, pensando: sucesso! Agora é esperar um momento de calma dela para mostrar mais imagens de outros alimentos congelados.

Assim foi o primeiro trabalho de pesquisa da Nyny. Uma aventura cheia de emoção, mas com muito aprendizado e, obviamente, boas risadas no final.

Se você leu até aqui, deixa um coraçãozinho para mim na mensagem. Assim, saberei que esse tipo de conteúdo interessa e continuarei compartilhando nossos momentos. 

Muita luz para todas as pessoas que acompanham nossa jornada! Ubuntu!


As Aventuras Culinárias da Nyara

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