sábado, 12 de outubro de 2024

Rede de proteção? Só se for para a mãe

12/10/2024 - 18:48


Paola, minha filha de 18 anos, sempre foi uma fonte de desafios emocionantes na arte de educar uma jovem de forma autônoma, livre e crítica. Mas o desafio mais antigo e persistente começou quando ela, aos 7 anos, resolveu que seu futuro estava nas alturas – literalmente. Foi nessa época que ela entrou para o projeto de artes circenses no colégio.

Eu, como mãe, claro, tinha minhas preocupações. Afinal, quem não teria medo ao ver sua filha se divertindo em tecidos coloridos, girando no ar como se a gravidade fosse uma mera sugestão? O que começou com apresentações no chão rapidamente evoluiu para alturas que fizeram meu coração dar piruetas junto com ela. E enquanto Paola se deliciava em suas acrobacias, eu me perguntava: “Meu Deus, e se um dia ela resolver ir embora com o circo?”

Acho que essa minha preocupação ficou mais evidente numa certa reunião da escola. A professora estava explicando o progresso das crianças no projeto, quando eu levantei a mão e perguntei: “Vai ter rede de proteção no palco, né?” . O que causou uma explosão de risadas. Todos acharam que eu estava brincando. Só que não. Meu medo era bem real!

O mais irônico é que, enquanto eu contava os segundos para ela descer do tecido, Paola estava lá, subindo cada vez mais – não só nas alturas, mas em talento também. Tão talentosa que, alguns anos mais tarde, mesmo sendo ainda dos anos finais do ensino fundamental, já estava treinando com o pessoal do ensino médio. E eu ali, com o coração na boca, tentando segurar os pés dela no chão, enquanto ela voava – literalmente.

Hoje, com 18 anos, Paola continua me desafiando, mas agora de outras formas. E apesar de todos os medos e preocupações, cada vez que a vejo se equilibrando nas cordas da vida, eu sei que, de alguma forma, ela sempre conseguiu encontrar o próprio equilíbrio. Talvez seja disso que se trata criar uma jovem autônoma, livre e crítica: deixa-la voar, mesmo que o circo não tenha rede de proteção ela sabe que estou aqui para ser esta rede sempre que ela precisar.

O tempo voou, e agora, além de ser minha artista preferida, Paola também se revelou uma escritora incrível! Tirou uma nota altíssima na redação do ENEM e foi aprovada tanto no vestibular do exame nacional do ensino médio quanto no PISM da UFJF. Agora, ela vai começar a faculdade de Jornalismo no próximo mês. Olha só, minha filha indo para a faculdade... e eu aqui, tentando agir naturalmente mas com o coração cheio de ansiedade.

Na semana passada, tivemos uma situação que mostra bem essa minha "ansiedade materna". Eu perguntei sobre o início das aulas e o quadro de disciplinas, e como surgiu uma dúvida, eu disse: "Paola, manda uma mensagem para a coordenação." Até aí, tudo certo, né? Só que... enquanto esperava ela mandar a mensagem, minha insegurança de mãe começou a crescer. Não aguentei. Antes mesmo que Paola tivesse tempo de resolver, eu mandei um e-mail para a coordenação.

Mas, calma, não para por aí. Minha ansiedade estava tão fora de controle que, além de não esperar a Paola me contar o retorno da mensagem que ela havia mandado, eu não consegui esperar o retorno do meu próprio e-mail, e o que eu fiz? Peguei o telefone e liguei diretamente para a central de atendimento. Fui super bem atendida, acho que estão treinados em atender mães.

Mais tarde, quando a Paola finalmente me contou que a coordenação tinha respondido a mensagem dela, eu, com aquele sorrisinho sem graça, disse: "Ah, eu também liguei... Não aguentei esperar." Ela riu. E mais tarde, o melhor de tudo: meu e-mail foi respondido assim: "Conforme conversamos com a senhora no telefone, a aula começa dia 04." Eu ri, mas lá no fundo percebi... minha filha cresceu, e eu, com todo o meu zelo, ainda estou me adaptando a essa nova realidade.

Se você leu até aqui, deixa um coraçãozinho para mim na mensagem. Assim, saberei que esse tipo de conteúdo interessa e continuarei compartilhando nossos momentos. Muita luz para todas as pessoas que acompanham nossa jornada! Ubuntu!

Um comentário:

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